12 – Procura-se um açougueiro confiável para amizade sincera e duradoura

Às vezes eu tenho a nítida sensação de que começo algumas fases da vida de traz para frente, um desses dias foi assim. Era uma vez uma moça cabeçuda que queria aprender a cozinhar… já nas primeiras investidas ela quis fazer medalhões de mignon com molho vinho/barbecue e lascas de amêndoas, com arroz e aspargos na manteiga. Oi??

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Pois é.. mesmo ciente de que eu iria cometer várias gafes eu resolvi tentar essa aventura, motivada pelo lema: é errando que se aprende!

De qualquer forma, uma pizza poderia chegar com uma ligação, em 30 minutos.

Era como se eu aprendesse a andar e fosse escalar o Pico Paraná no dia seguinte. Cruel, desesperador, sádico, porém divertido e saboroso. Tragicômico!

Considerando que eu não como carne todos os dias, e que fico mais à vontade preparando frango, não tenho dor no bolso quando quero comprar uma peça mais cara. Hoje minha onça interior queria um pedaço alto e suculento de carne, sabia que a primeira facada seria no bolso.

1° Surto/Lição: Se quer um jantar com ingredientes diferentes, planeje! E caso não tenha planejado, não almeje comprar a melhor peça de mignon da sua vida em um açougue que não frequenta. Escolha um bom frigorífico/açougue (o meu preferido fica a 20km da minha casa), e faça amizade com o açougueiro, ele é quem tem a chave do céu!

Não foi o que aconteceu, na volta do trabalho para casa fui em um bom açougue da minha cidade, com aquela cara de quem “conhece carne”. Pedi ao moço um mignon bonito, que não fosse nem ponta, nem cabeça, nem cordão! Pobre rapaz.. acho que ele pensou: moça, não vai sobrar nada então! Enfim, eu chego em casa, abro o pacote, coloco a carne na tábua e penso: que raio é isso grudado no meu mignon?!?

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Queria Marcos Bassi e a filha dele tomando vinho na minha cozinha nessa hora! Tentei um contato sem sucesso com meu orientador de plantão, mas nada feito. Pesquisei em 4 livros e não identifiquei com clareza o que tinha nas mãos, parecia uma cabeça de mignon, mas eu preciso confessar que nunca havia estado cara a cara com uma, então…

Olhei no Google e ainda fiquei na dúvida, mas depois de uma boa pesquisa eu acho que é chateaubreand, ou cabeça! Ou nenhuma das alternativas! Apenas espero que de fato seja mignon. 😛

Enfim, percebi que havia um formato claro na peça central (meu suposto mignon) e resolvi cortar aquilo, respeitando aquela forma cilíndrica. Se era uma peça para ser consumida inteira, não é mais, havia cometido um crime a golpes de faca.

IMG_20150306_190359251Uma parte eu cortei em cubos, vislumbrando um belo picadinho, a outra eu cortei dois medalhões para o jantar de hoje, e guardei a parte fina e a parte não identificada para outra ocasião. Essa foi sem dúvida a etapa mais difícil, lá pelas tantas eu já estava com dó da vaca e ficando meio enjoada, meio verde, meio tonta…

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Mais tarde, durante o jantar veio a confirmação: é cabeça! Fiquei feliz por saber, mas confesso que me senti ludibriada, mas prefiro acreditar que o moço também não sabia a diferença. O que importa é que estava super macio!

2° Surto/Lição: Qual era o molho que eu queria, como ele era, quais ingredientes eu iria precisar, existe uma receita? Obviamente, para apimentar minha saga Mignon eu não tinha respostas concretas para nenhuma dessas perguntas.

Então vamos ao que temos em casa, foi tipo caldeirão da bruxa.

Aprendi com a diva Nigella que quando tomamos um bom vinho e sobra aquele restinho, podemos congelar e usar em algum molho. Sim, eu tinha vinho congelado!

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Fiz um roux, coloquei lascas de amêndoas, sementes de mostarda, o vinho, água, molho inglês, shoyu, mel, barbecue industrializado e mais manteiga. Pasmem! Deu certo e ficou bem bem bem legal!

IMG_20150306_211942225Era isso que eu queria, uma carne com sabor forte.

Fiz um arroz com alho, que ficou bem bom também.

E resolvi passar os aspargos na manteiga clarificada, ficou uma delícia!

IMG_20150306_230116753O saldo da travessura foi incrível, mas vou colocar na conta da sorte de principiante, enfim, acho que chegou a hora de seguir um roteiro de estudos.. antes de querer criar um molho eu devo saber os molhos básicos. Antes de saber os molhos básicos eu devo aprender a fazer caldos. Antes de meter a faca numa peça de carne eu preciso saber o que tenho nas mãos. Espero que minhas lombrigas tenham entendido essa parte final.

 

Comer e ser feliz!

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