4 – Uma faca e seus dois gumes – Parte 1

Sei que ainda não conhecem bem minha trajetória na cozinha, mas já adianto que sei de facas o mesmo que natação, não morro afogada em uma piscina infantil. Ou seja, não passo fome com um pão, e me viro bem com as cebolas, mas se o assunto for qualquer coisa que venha com ossos eu tenho muitos problemas! Sendo assim, manuseio de facas será o primeiro desafio que vou vencer!

Minha leitura da vez é Facas e Cortes, da Publifolha. Um livro incrível, de fácil leitura e manual indispensável caso tenham interesse de aprofundar no tema. Por ter muita coisa útil no livro, eu vou fazer um resuminho e dividir em partes, não na sequencia do sumário, mas em uma ordem confortável para mim, obviamente deixando as carnes para o grand finale.

Se até meus 2 semestres de anatomia humana foram agradáveis, anatomia da faca é mole!

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Não iremos conseguir resultados excelentes usando um único tipo de faca para todas as funções, portanto é bem útil saber um pouco das regiões de uma faca e das dimensões que cada parte precisa ter para se acomodar à mão e ao alimento para escolher a faca certa!

Pelo fato do meu marido ser cozinheiro a muitos anos, temos boas facas em casa, e além das nossas da cozinha, eu eventualmente irei surrupiar o estojo pessoal dele até que eu ganhe o meu, sim, não devo comprá-lo. Diz a lenda que eu criei agora que quando um iniciante ingressa em algum treinamento,o mentor que o acompanha o presenteia com o item pessoal de mais valia para seu trabalho. No caso dos amantes de cozinha, esse item são as suas facas, pessoais e intransferíveis. #ficaadica, Zequinha J.

Ok, é fácil, eu ficarei inicialmente com 4 tipos apenas e pra tornar mais suave fiz um paralelo com sapatos:

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A Sapatilha, minha faquinha de cerâmica (a branca), leve, pequena, fácil de segurar pois tem cabo anatômico e emborrachado. Enfim, me dá confiança para trabalhar, será a amiga de todas as horas, faça chuva ou sol.

O Tênis, dispensa comentários, é a faca de chef  ou faca grande, ainda irei me adaptar com essa, pois não somos muito íntimas. Não tenho medo da lâmina, mas acho um pouco pesada. Como não tenho hábito de cortar peças de carne ou coisas grandes como abóboras uso muito pouco essa faca. Acredito que será a mais desafiadora.

A Havainas, versátil, precisa e segura. É a boa e velha faca de pão, me acompanha quase todas as manhãs, então acho que ela merece destaque nesse momento. Prometo que irei tratá-la com mais respeito de hoje em diante e buscar novos desafios para minha amiga serrilhada, descobri que ela pode ser útil para cortar beringelas, por exemplo, que têm a casca forte, lisa e fina, e a polpa macia.

Por fim, a quarta selecionada, a faca de legumes. Se legumes está para jeans, a faca é a Alpargata! Hoje uso a de cerâmica para esse fim, mas vou começar a separar as coisas e tentar diversificar minha maneira de trabalhar, é ótima para frutas menores também.

IMG_20150212_183715162 O primeiro passo é então buscar conhecer um pouco sobre as facas e  optar pelas que ficarem mais confortáveis, precisas e seguras para o  trabalho. O cabo tem que aderir bem à mão, no meu caso, preciso de  cabos menores e a lâmina ser adequada ao alimento que vai cortar. É  bem intuitivo, mas com a prática é possível cortar alimentos bem  delicados como camarões com a faca de chef. Para dançar créu, tem  que ter habilidade! Vamos nessa!

 

A parte 2 será sobre a segurança no manuseio e a parte 3 sobre os  cortes propriamente ditos.

Comer e ser feliz!

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3 – Um café é um minuto a mais que ganhamos na vida

É justo que o primeiro ingrediente de que vamos falar seja o café, não é exagero meu dizer que ele mudou minha vida. Afinal, o café veio a mim numa época de descobertas e aceitação de quem eu sou, isso foi por volta dos meus 20 anos.

IMG_20150127_150637638 Depois de experimentar intensamente a rebeldia e a caretice de ser  adolescente, depois de vivenciar um casamento fracassado, e uma situação  de trabalho que não me fazia feliz, o café veio fechar um ciclo e começar  outro. Um ciclo bem mais leve!

Foi através do café que eu tive mais vontade e coragem de  mudar meu  trabalho (tínhamos uma empresa de  restauração de artigos sacros, o  resultado é lindo e  gratificante, mas não tem nada a ver comigo), e a partir  do  momento que encontrei a gastronomia profissional, eu  mudei muita  coisa, relações profissionais, novos ciclos de  amizade, minha empresa e até o  marido!

Além de dedicar horas do meu dia à fabricação de produtos  para cafeterias,  eu faço questão de aprender e consumir  desde café de mãe, cafés ruins,  cápsulas de café e os  espressos mais bem falados por aí. Não tem receita de  sucesso, tem que arriscar e tomar, uns serão ótimos e  outros intragáveis, faz  parte! E é incrível como cada café é  único, cada grão, cada extração, cada  mão!

E esse é um gosto comum entre eu e o Zeca, aliás, quando  fiz o curso de  barista (no Kassai), ele foi um dos meus  professores. Bom, em casa temos  vários apetrechos legais  para café, o que torna nossas vidas melhores!IMG-20141111-WA0003

É sim um investimento de retorno imediato, afinal, um  cappuccino em casa, com grão de qualidade moído na  hora, com um leite vaporizado na temperatura certa e bem  montado representa um alto índice de Alegria Interna  Bruta!

 

Gosto dos de torra média, com bom corpo, acidez  acentuada e um amargor residual agradável!

Prefiro nas  versões espresso curto ou prensa francesa, mas não nego  nenhum. E minha dobradinha preferida é um cappuccino  seguido de um ristretto, obviamente sem adoçar.

Não é tão complicado nem tão caro quanto parece, faço um convite ao gosto de tomar um bom café!

Ouse se permitir, e permitir que ele mude a sua vida também!

Comer e ser feliz!

1 – O Início

Um fato me acompanha desde meu nascimento, cabeça e olho!

Diz a lenda que quando minha madrinha foi me conhecer na maternidade, ela disse: “Cruzes, é só cabeça e olho!”.

Com o passar do tempo eu cresci! Pouco, mas cresci, e a proporcionalidade das dimensões ajudou um pouco, mas cabeça e olho ainda me identificam nos núcleos mais restritos, tanto por serem realmente avantajados, como pelo fato de eu ter olho-grande pra comida ser um misto de ansiosa por conhecimento e teimosa.

Quando pensei num blog para minha jornada de estudos sobre gastronomia não tive dúvida quanto ao nome! Sou inquieta e vim ao mundo para fazer coisas, zilhões de coisas, todas ao mesmo tempo! E meu novo projeto é após quase 5 anos criar coragem e estudar gastronomia – de forma independente!

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É inegável a inspiração no filme Julie & Julia. Minha ideia é estudar gastronomia por conta (contando com o auxílio do Zeca nos momentos de pânico) e partilhar com vocês algumas histórias e resultados!  Simples assim! Espero…

Em 2010 eu resolvi fazer um curso de cozinha, mesmo querendo trabalhar com doces. Eu queria estudar cozinha por acreditar que precisava primeiro conhecer amplamente a gastronomia, para depois me especializar nos doces. Acontece que todo e qualquer curso de cozinha que se preze, tem uma imensa carga-horária sobre o preparo de carnes. O boucher foi meu primeiro entrave! Nunca consegui me matricular.

Desde a mais tenra idade eu fujo das carnes. Quando criança, ficava separando as carninhas no canto do prato.

Sem chance, aquilo não me apetecia, não me agradava e não me fazia feliz! Minha família sempre teve a tradição de almoçar em casa, com todos integrantes presentes à mesa, e com oração de bênção e agradecimento pelo alimento. E era uma afronta eu não comer as carnes!

Fiz o que pude, mas lá pelos 20 anos eu resolvi que seria vegetariana, durou apenas três anos e poucos meses, mas foi incrível!

Meu paladar mudou, meus pratos se tornaram mais criativos e minha mãe surtou!

Mas agora eu acho que já superei! Depois de toda a trajetória de negar as carnes; comer as carnes (pois era pecado deixar um alimento saudável e abençoado no prato); assistir muitos vídeos sobre como são os trâmites para a nossa carne de cada dia chegar às mesas, decidir que amo as vacas, peixes, porcos, galinhas e afins, e não consigo comê-los; virar vegetaria; deixar de ser vegetariana mesmo amando os bichinhos; ser dona de casa e ter que frequentar açougues; cozinhar para a equipe da empresa e ter que preparar carnes, eu decidi que vou tentar estudar gastronomia com carne e tudo! Ufa!

Minha rotina de trabalho é enlouquecedora e não tenho tempo, nem energia, nem grana para pagar uma escola hoje, e por ter muitos livros legais no nosso escritório de casa, decidi estudar por conta.

Não sou autodidata e isso será um imenso desafio! Uma forma de me ajudar nos momentos de perrengue é poder partilhar a experiência nesse blog. Além disso, meu marido (Zeca) está na caminhada da cozinha a mais de 10 anos e vai me dar apoio quando eu arriar. Vai me ajudar com as dúvidas, com as carnes, com as compras, com as facas, e com todos os meus monstros gastronômicos!  Além de ajudar a comer os pratos, estejam eles bons ou nem tão bons! 😀

É isso… Uma bióloga confeiteira, cabeçuda e olhuda, ex vegetaria que quer aprender, superar seus medos e partilhar experiências! Espero que dê certo!

Comer e ser feliz!

2 – Eu <3 Carlo Petrini!

Quando li pela primeira vez o livro Slow Food, Princípios da nova gastronomia, da editora Senac eu fiquei em êxtase, e não por menos eu escolho iniciar esse projeto por essa experiência literária!

Não havia entendido bem como tinha sido essa caminhada da biologia para a gastronomia até uma entrevista que fiz para um curso sobre empreendedorismo em 2012 eu acho, o Empretec. Numa das etapas, a entrevistadora olhou minha ficha, olhou para mim e disse: “porquê uma bióloga decidiu empreender no ramo de alimentação?”.

Ela me pegou de calças curtas! Eu nunca havia feito essa reflexão!

Prontamente meu coração respondeu: acho que inverti hobby e profissão, estudei primeiro o que amo incondicionalmente, a vida em todas as instâncias. E trabalho com o meu primeiro amor, a comida!

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Carlo Petrini é meu elo nessa história toda! Com maestria, Carlo desenvolve uma nova maneira de ver a alimentação, ele compila tudo que envolve o não simples fato de comer. Percorrendo todo o caminho desde a produção do alimento até nosso prato.

Cresci ouvindo do meu pai que somos o que comemos e o que pensamos. Mais tarde, em algum trecho da minha busca eterna pelo autoconhecimento, eu complementei a frase dele, incluí que somos também o que sentimos.

Carlo me ensinou que podemos sim sentir um pimentão, e isso reverberou em mim! Kkkk, é piegas, mas assim que é!

Comer, pensar e sentir, essa é a chave que abriu de vez a porta da gastronomia para mim.

Comer e ser feliz!